Kurt fazia bem o tipo do cara descompromissado, displicente, desencanado........
Fazia não. Ele era assim. E esse estilo de herói da guitarra que ele cultivava tão bem, poderia tranquilamente fazê-lo passar por um amigo nosso; um colega de classe; um vizinho apaixonado por música.
Nunca se ouviram dos lábios de Kurt palavras pretensiosas de orgulho e descaso, reveladoras de um caráter esnobe ou de um temperamento irascível.
Kurt podia não ser muito de conversa e preferir calar-se diante de pessoas que não conhecesse tão bem; mas isso se devia apenas a sua timidez e não a uma possível arrogância como muitos poderiam supor.
No arcabouço amável, sofrido e arguto de sua mente só existiam pensamentos para a música, completamente desarticulados da fama e da fortuna....
Compor era sua vida e sua glória. Por isso, quando tristemente percebeu, que já não conseguia articular tão bem as cordas mentais de sua guitarra, preferiu, sem alarde e sem meneios, deixar as luzes daquele palco...